Algumas dicas para uma melhor gestão das infestantes nas culturas agrícolas

“Ervinhas” que nascem entre as culturas, são assim tão prejudiciais?

Apesar de algumas até as podemos comer (os antigos costumavam usar na sua alimentação) e ou serem utilizadas em infusões e preparados de plantas, com benefícios para a saúde. Outras podem abrigar auxiliares ou repelir algumas pragas, proteger o solo contra a erosão e conservar a humidade, entre outros benefícios. Sim, é verdade que se reconhecem muitos benefícios em muitas espécies infestantes, que sempre que possível, devem ser aproveitados. Mas atenção, não podemos deixar que entrem em competição com a(s) nossa(s) cultura(s). As plantas infestantes (maioritariamente ervas) podem ser muitas vezes o principal inimigo das culturas, em especial das hortícolas e das plantas jovens.

Como competem as infestantes com as nossas culturas?

As plantas infestantes podem por em causa o seu crescimento e  desenvolvimento, ao reduzirem-lhes a disponibilidade de água e minerais, ao roubarem-lhes espaço para as raízes e a luz prejudicando a fotossíntese. Consequentemente interferem com o bom o crescimento das folhas e todo o desenvolvimento da parte aérea das culturas, em especial quando se tornam “abafadoras” e ou  se enrolarem sobre as mesmas, como é o caso de algumas infestantes trepadeiras. Outra desvantagem de algumas infestantes, é que  podem servir de abrigo a inimigos das culturas e podem ser tóxicas e ou venosas, para alguns animais.

 

Ainda outros inconvenientes, e que poderão ser um grande prejuízo para o agricultor, nomeadamente quando dificultam a execução de algumas operações culturais, por exemplo ao transplantar plantas, ao desbastar as plantas, ou mesmo quando prejudicam o bom funcionamento do sistema de rega e as próprias colheitas, entre outras. Também algumas plantas infestantes, podem causar irritações na pele e ou problemas respiratórios.

É preciso travar a competição?

Sim, é preciso tomar medidas mesmo antes de instalar as culturas. O período após a sementeira e plantação é muito importante para o crescimento e desenvolvimento das culturas e dificilmente estão prontas para uma competição.

Na agricultura biológica não se usam herbicidas. As alternativas utilizadas são a monda mecânica (alfaias manuais ou ligadas a tratores ou outros equipamentos) e a monda térmica. Operações culturais altamente consumidoras de tempo, que podem exigir posições incómodas e um esforço acrescido, além dos custos associados aos equipamentos. O melhor é limitar o crescimento das infestantes e evitar ao máximo uma competição que nada abonará o agricultor.

Podem ainda recorrer-se a técnicas como a solarização do solo, coberturas de solo e ao pastoreio de animais, como as galinhas, o que exige espaço, tempo e custos de mão de-obra e de aquisição materiais e equipamentos.

Como podemos  prevenir e diminuir as infestantes?

É necessário suprimir as fontes de contaminação para evitar a introdução e ou dispersão de sementes e reduzir as condições para o seu crescimento  desenvolvimento:

  • Aplicar estrume com um bom processo de compostagem;
  • Combater as ervas quando ainda são pequenas (sempre logo no início) e cortar as ervas infestantes antes da floração, para evitar a dispersão das sementes;
  • Plantar sebes para proteger a dispersão das sementes pelo vento;
  • Semear em tabuleiros em vez de semear diretamente no local definitivo;
  • Aumentar a densidade de plantação (sem comprometer o desenvolvimento da cultura);
  • Rotação de culturas com introdução de culturas de crescimento rápido e que abafe as          infestantes.
  • Fazer uma ‘Falsa-sementeira’ e ou adiar a sementeira/plantação: Em épocas de sementeira, as plântulas das infestantes começam logo a aparecer, uns dias depois da primeiras chuvas ou provocando uma rega intencional, se necessário. De imediato, deve-se proceder á destruição destas. Esta técnica de provocar a germinação das sementes das infestantes  antes da cultura e destruição das plântulas, preparando o terreno como se fosse para uma sementeira, designa-se de “falsa-sementeira”.  Mesmo que se provoque um ligeiro atraso da sementeira ou plantação, o terreno fica assim mais “limpinho” e mais livre de infestantes e pronto par receber as culturas.

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