As minhas plantas não estão saudáveis!!?(Parte 3 de 3)

Quando as plantas não estão saudáveis, além da necessidade de avaliar e questionar sobre as condições ambientais a que estão expostas as nossas culturas ( Veja parte 1 do artigo) e de refletir sobre as próprias plantas que escolhemos (Veja parte 2 do artigo). No entanto, a resposta pode estar nalgumas práticas culturais que nem sempre são realizadas ou que são praticadas de forma incorreta.

As minhas plantas estão a ser corretamente fertilizadas?

Correção química do solo

Adubar as plantas pode não ser suficiente se não considerarmos se o intervalo de pH (do potencial de hidrogénio) do solo é o adequado ao desenvolvimento das nossas culturas. Se tal acontecer há uma grande probabilidade de parte dos elementos nutritivos apresentam-se indisponíveis para as plantas. Ao valor de pH 7 considera-se neutro e para valores inferiores ácido e superiores alcalinos. A escala de pH varia entre 0 e 14.

O pH do solo é um dos fatores que condiciona o desenvolvimento das plantas e, se há algumas que preferem solos ácidos, outras  preferem solos subalcalinos (pH 7,6-8,5). No entanto, a maior parte das plantas estão mais confortáveis e desenvolvem-se melhor no intervalo de pH entre o subácido e o neutro (5,6-7,5), faixa na qual os nutrientes permanecem mais disponíveis para as plantas e onde há maior atividade dos microrganismos do solo. Solos muito ácidos dificultam a absorção de azoto, fósforo, potássio e magnésio, já em solos alcalinos poderá haver reduzida disponibilidade da maioria de micronutrientes como zinco, ferro e manganês. Cada cultura apresenta valores de pH preferenciais por serem os mais
adequados ao seu crescimento. A correção do pH de solos ácidos é muito importante porque constitui fonte de cálcio e magnésio para as culturas e melhora a agregação do solo, tornando-o mais resistente à erosão.

A adubação

A adubação das culturas quando necessária, deve fornecer os elementos nutritivos para que esta cresça e desenvolva. A adubação deve ser feita tendo em conta o tipo de cultura que se pretende produzir e os níveis de produtividade, pois estas têm exigências nutricionais bastante distintas. Por outro lado a mesma planta quando sai do viveiro, tem necessidades nutritivas diferentes do que quando tem as suas folhas a crescerem e a se desenvolverem e de  quando está em floração e ou frutificação. De acordo com  a função dos diferentes nutrientes nas plantas, as plantas têm distintas necessidades de minerais em qualidade e em quantidade.

A compostagem

Um dos objetivos da compostagem é converter resíduos orgânicos num bom  fertilizante, sem sementes de infestantes viáveis, sem microrganismos patogénicos e sem quantidades de metais pesados ou moléculas orgânicas que prejudiquem as culturas. Por vezes esta prática de reutilização de resíduos da exploração não é devidamente explorada.

A rotação de culturas adequadas

No caso das hortícolas é preciso analisar que rotações inadequadas, isto é com plantas da mesma família ao longo dos anos, podem ser a causa das nossas plantas estarem sistematicamente atacadas com as mesmas pragas e ou doenças. Nas rotações de culturas deve-se procurar alternar ao longo do tempo com plantas de diferentes famílias botânicas. Sabia que a batata, o tomate e a berinjela são da  mesma família? Atenção ao tempo de rotação! Não vale fazer uma cultura diferente e  voltar imediatamente à cultura anterior. As rotações de culturas devem ser bem planificadas!

Os organismos auxiliares e a luta biológica

Os agentes biológicos utilizados em agricultura dividem-se em insetos, ácaros, nematoides, vírus, bactérias e fungos. Estes atuam no controle populacional de pragas e doenças nas culturas através da predação (através da alimentação) dos agentes nocivos das culturas e de parasitas e parasitoides.

A criação de infraestruturas ecológicas (como sebes vivas de plantas aromáticas, colocação de ninhos artificiais para aves insectívoras, introdução de artrópodes auxiliares, hotéis de insetos, outros) que funcionam como reservatório e refúgio, são práticas culturais que favorecem o desenvolvimento dos inimigos naturais ou da fauna auxiliar.

A rega

O conhecimento prévio da composição da água de rega é fundamental para o solo e para as culturas. A análise da água é importante para garantir a qualidade dos alimentos e a saúde do solo.  O excesso de sais ou o seu desequilíbrio pode potenciar e causar danos às culturas.

Bibliografia:

(2021) Guia das Boas Práticas Agrícolas para Produção Biológica da Madeira, Probiomadeira, New Organic Planet.

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