Vamos falar sobre o castanheiro (parte1)

O castanheiro no ecossistema

Os soutos ou castinçais, dependendo do objetivo da produção, fruto ou madeira, respetivamente, têm um contributo no fomento da biodiversidade. A vegetação herbácea cresce espontaneamente por debaixo da copa dos castanheiros podendo também potenciar o crescimento de cogumelos e aromáticas. São diversas as espécies de cogumelos que podem crescer sob coberto, alguns dos quais em simbiose com a árvore.

Condições edafoclimáticas

Prefere solos de textura ligeira e com alguma espessura, bom suporte radicular, arejado e com boa drenagem. Os solos ligeiramente ácidos, com teores baixos de Ca e Mg, são limitantes ao desenvolvimento da planta. Teores médios de matéria orgânica melhoram a estrutura, arejamento, a biodiversidade do solo e diminuem a incidência da doença-da-tinta.

O castanheiro gosta de clima temperado (geadas tardias podem danificar os rebentos). O castanheiro vegeta bem quando os valores de temperatura se situam entre 22ªC e os 29ºC. Quando as temperaturas são superiores, reduzem o seu crescimento, perde vigor e aumenta a suscetibilidade a doenças, nomeadamente à tinta.

As altitudes entre 700 m e 1000 m são as mais favoráveis. Elevadas temperaturas de verão, superiores a 32ºC limitam a produção. Precipitação média anual de 800 a 1200 mm. Nos três meses de verão se a precipitação média for inferior a 30 milímetros a produção pode ser fortemente reduzida (vulnerável à seca).

Variedades de porta-enxertos

O castanheiro é autoestéril necessita por isso de polinização cruzada, o que exige mais do que uma variedade. Existem alguns porta enxertos resistentes à tinta dos castanheiros (Phytophtora cinnamomi), como Marsol, Ferosacre (CA-90) e ColUTAD. Para além da resistência à doença, antecipam a entrada em produção e garantem a homogeneidade do souto.

Marsol – permite a produção direta, resistente à “doença da tinta” possibilidade de micorrização.

Porta-Enxertos ColUTAD – resulta do cruzamento entre o Castanea sativa e o Castanea crenata (Castanheiro Europeu e Japonês). Grande resistência à “doença da tinta”. Possibilidade de micorrização.

Ferosacre (CA 90) – Porta enxertos de castanheiros híbridos CA 90 entre o Castanea sativa e o Castanea crenata (Castanheiro Europeu e Japonês), resistentes à doença da tinta.

(continuação em breve)

Publicado anteriormente: As roseiras também apreciam o empalhamento – BioPlatform

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Menu Principal