Os citrinos

O grupo de frutos designados por citrinos, como a laranja, o limão, a toranja, a lima, a tangerina, a cidra, o pomelo, a tangera, a clementina, o kumquat, e outros mais, pertencem ao género Citrus e família Rutaceae.  Estes frutos tiveram origem no sudeste tropical e subtropical da Ásia. O seu tamanho pode variar desde arbustos grandes, a árvores de tamanho médio a pequeno. Possuem folhas persistentes, com margem inteira, dispostas alternadamente. As suas flores são solitárias ou em pequenas inflorescências, de 2 a 4 cm de diâmetro, geralmente com cinco pétalas brancas. As flores são geralmente muito perfumadas, devido à presença de glândulas de óleos essenciais. O fruto é um hesperídeo, fruto carnoso geralmente rico em sumo. As laranjas e as tangerinas são dos citrinos mais consumidos em Portugal. Existem inúmeras variedades com épocas de maturação muito diversas. A época de maturação poderá ir de outubro a agosto permitindo assim a oferta desta fruta praticamente ao longo de todo o ano.

Exigências edafoclimáticas

Os citrinos podem ser cultivados desde os climas tropicais aos temperados quentes. No entanto são as zonas subtropicais as eleitas. As temperaturas abaixo dos 12,5-13 C originam citrinos com melhor coloração, mas param o seu crescimento vegetativo. A temperatura ótima de crescimento encontra-se entre os 23 – 34C. Zonas com risco de geada devem ser evitadas, principalmente para cultivares serôdias, assim como zonas ventosas. Os solos mais adequados são os de textura franco-arenosa, com profundidade superior a 40cm e bem drenados. A condutividade elétrica deverá ser inferior a 22 dS/m e o pH entre 5,5 -7,0.

Poda

Os citrinos praticamente não precisam de poda de formação e a poda de manutenção limita-se a abertura da copa para um bom arejamento e entrada de luz, melhorando a produtividade e qualidade da fruta. Deverá ser feita após a colheita, preferencialmente quando não há probabilidades de ocorrerem geadas.

Ciclo da cultura

Geralmente têm 3 ciclos de rebentação (primavera, verão e outono) mas pode variar consoante as condições atmosféricas e técnicas culturais. A mais importante é a que tem lugar no final de inverno ou princípio da primavera. O ciclo da frutificação é relativamente longo, a indução floral ocorre no inverno, a abertura das flores ocorre no final de inverno início da primavera e o vigamento até junho, seguindo-se o desenvolvimento do fruto que pode ir de 3 meses (variedades temporãs) a mais de um ano (variedades serôdias).

Nutrição e rega

A rega gota-a-gota é a que mais se adequa garantindo uma boa produtividade aliada ao menor consumo de água. As regas devem ser adequadas à evapotranspiração da planta, monitorizadas por sondas de humidade. A nutrição poderá ser feita por fertirrega durante o período de absorção radicular, não descorando a fertilização de outono. Os nutrientes deverão ser calculados de acordo com a extração da planta.

Pragas

A principal praga das laranjeiras e tangerineiras é a mosca da fruta (Ceratitis capitata) por provocar estragos na fase de maturação da fruta, levando a quebras muito significativas na produção. Outras pragas importantes são a cochonilha e os ácaros. Algumas medidas de prevenção e controlo das pragas devem ser acauteladas, como, o arejamento da copa, a cobertura vegetal nas entrelinhas, a plantação de sebes como o sabugueiro, romãzeira ou alecrim e os hotéis de insetos que contribuem para o desenvolvimento dos inimigos naturais das pragas e assim na redução da necessidade de tratamentos fitossanitários. A mosca da fruta (Ceratitis capitata) poderá ser controlada com armadilhas, tiras ou placas amarelas com cola ou garrafas com atrativo.

Colheita

A colheita deve ser feita em plena maturação do fruto. A qualidade do fruto depende da altura adequada na sua colheita, nem demasiado cedo nem demasiado tarde. Para saber o estado adequado de colheita é necessário efetuar análises periódicas à maturação interna do fruto, como o teor de sólidos solúveis, acidez e índice de maturação. A colheita deve ser feita com cuidado de forma a não provocar danos nem nos frutos nem na árvore. Devem usar-se tesouras de poda redonda para não danificar os frutos e o pedúnculo cortado bem junto ao fruto. Os operadores devem usar luvas ou unhas curtas, de forma a não ferirem a casca dos frutos. Durante a apanha deve ser usado um saco de colheita e nunca colher a fruta quando esta se apresentar húmida.

Variedades

Em Portugal a laranjeira (Citrus sinenses) é claramente a espécie mais produzida. As variedades mais comuns são a ‘Valencia Late’, ‘D. João’ e as de umbigo a ‘Navelina’, a ‘Newhall’, a ‘Lanelate’ e a ‘Rhode’. A variedade ‘D. João’ é a única portuguesa. No grupo das tangerineiras, as clementinas ‘Fina’ e ‘Nules’ têm grande importância, especialmente no Algarve.

Porta enxertos

Tradicionalmente era utilizado como porta enxerto a laranjeira azeda, mas tem vindo a ser substituída pela sua suscetibilidade à virose – tristeza dos citrinos. A laranjeira trifoliada, Citrus trifoliata e a Citranjeira Carrizo (híbrido de laranjeira com laranjeira trifoliada) são tolerantes à tristeza. O porta enxerto deve ser escolhido de acordo com as condições e exigências pretendidas.

Bibliografia

1 – Duarte, A.M.M. 2020. Manual de Boas Práticas de Fruticultura – Citrinos. Frutas, Legumes e Flores, 207:87-93. Faculdade de Ciência e Tecnologia – MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento.
2 – Tomás, J.C.C. 2016. Variedades e porta-enxertos de citrinos. Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve.

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